
Desde a primeira passagem do atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, pelo Palácio do Planalto em Brasília, tem-se ouvido falar em “carona” em aviões, mais precisamente aérea. Na verdade, os aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) ou o oficial do presidente têm regulamentos em relação a quem e o que transportar. Mesmo sendo de sua comitiva presidencial, tendem a transportar ministros, assessores, amigos, parentes e empresários.
Segundo o dicionário digital Houaiss da Língua Portuguesa, cuja lexicógrafa responsável é Débora Ribeiro, o substantivo feminino “carona” significa viagem gratuita em qualquer veículo; boleia: pegar uma carona. Também conduzir gratuitamente alguém em um veículo qualquer.
Na verdade, carona é comum em todos os locais e momentos, seja aéreo, rodoviário, ferroviário, hidroviário ou dutoviário. Mas você já deu carona de outra forma? Já ouviu falar em “carona de voto”? Não? O famoso “Caroneiro de Voto”?
Em uma cidade do interior do Maranhão, distante 311 km de sua capital, São Luís (fonte: Google Maps), um deputado apelidado de um “Composto de Leite” acrescido de frutas, mesmo com centenas de veículos em sua frota de caminhões, carros de luxo, aviões, lanchas e outros, tem a fama de ser um caroneiro. Em períodos eleitorais, circula na cidade em carrões de luxo em busca de votos. Mas como uma pessoa procura o que não tem?
Na verdade, o “Composto de Leite” ou “Caroneiro de Voto 1” vive à procura de carona do “Super Z” – denominação fictícia de um de seus aliados políticos – para poder chegar onde quer. Quando se lançou como prefeito duas vezes, na primeira, não atingiu 8 mil votos em um colegiado de quase 80 mil eleitores na época. Só foi possível ser prefeito na segunda tentativa, quando seu aliado político “Super Z” o apoiou, dando mais de 23 mil votos. O “Composto de Leite” deixou o cargo quatro anos depois com uma margem de quase 80% de rejeição.
O mesmo aconteceu quando, para chegar à Assembleia do Estado do Maranhão, o atual deputado “Composto de Leite” precisou novamente implorar o apoio do “Super Z”, que lhe deu mais de 20 mil votos dos mais de 50 mil que recebeu, ou seja, quase 50% dos votos que saíram de Codó.
Não bastasse a luta do “Super Z” para eleger o “Composto de Leite”, o pai deste, o “Chefe dos Descartáveis” ou “Caroneiro de Voto 2”, também quer chegar à prefeitura e implora o apoio e os votos do “Super Z”. Assim, tornou-se também um “Caroneiro de Voto 2”. Vale lembrar que seu adversário político na época, o jovem e promissor Pedro Neres, sem experiência política e sem ocupar nenhum cargo público, teve quase 15 mil votos apenas com o apoio do pai, o médico e atual prefeito Dr. José Francisco. A coincidência é que o “Chefe dos Descartáveis” ou “Caroneiro de Voto 2” tem hoje o mesmo percentual de intenções/votos (7%-9%) que seu filho “Composto de Leite” teve à época quando quis ser prefeito e recorreu ao “Super Z”. Hoje, quer que seu pai “Chefe dos Descartáveis” ou “Caroneiro de Voto 2” peça também apoio para atingir seu objetivo.
Isso prova que, atualmente, dos quatro pré-candidatos a prefeito que despontam nas pesquisas, somente três não pegam carona e não precisam dela. Eles precisam do povo para se elegerem: o ex-deputado estadual Camilo Figueiredo, o ex-prefeito Zito Rolim e o atual prefeito Dr. José Francisco, que, diga-se de passagem, vai forte para a reeleição. Esses sim são donos dos próprios votos.
Mas regra é regra: uma empresa que não permite carona em sua frota não deveria pegar carona de ninguém. Mau exemplo!








